
Em um mercado onde percepção também pesa, a forma como a mulher se apresenta continua influenciando a forma como é vista — e poucas aprenderam a usar isso a seu favor
Durante muito tempo, falar sobre imagem no ambiente profissional foi tratado como algo menor, quase irrelevante diante de formação, experiência e entrega. Na prática, não é bem assim.
A forma como uma pessoa se apresenta continua interferindo diretamente na maneira como ela é percebida. Isso acontece rápido, de forma silenciosa, antes mesmo de qualquer argumento ou resultado aparecer.
No caso das mulheres, essa equação costuma ser ainda mais delicada. Existe uma expectativa difusa de que elas transmitam segurança, profissionalismo, proximidade e autoridade ao mesmo tempo. Mas quase ninguém ensina como isso se traduz na prática.
Para Juliane Nascimento, consultora de imagem e empresária à frente da Laleju Store, esse desalinhamento aparece com frequência. “A mulher cresce, amadurece, muda de fase, assume novas responsabilidades, mas a imagem nem sempre acompanha esse movimento. E isso cria um ruído que ela nem sempre consegue explicar”, diz.
Quando a imagem não acompanha a trajetória
Esse descompasso não costuma ser óbvio. Ele aparece em pequenas situações: na insegurança ao escolher uma roupa para uma reunião importante, na sensação de não estar adequada em um evento, ou na dificuldade de se reconhecer nas próprias escolhas.
Não é falta de roupa. Também não é falta de repertório.
Muitas vezes, é falta de clareza sobre o que se quer comunicar.
“Existe uma ideia de que imagem profissional é seguir um padrão. E, quando a mulher tenta se encaixar nisso, ela acaba vestindo algo que não representa quem ela é. A roupa vira uma tentativa de adaptação, não de expressão”, afirma Juliane.
Presença também se constrói visualmente
Com a expansão das redes sociais e das interações digitais, a imagem profissional deixou de existir só dentro do escritório. Ela aparece em reuniões online, conteúdos publicados, fotos, vídeos e eventos.
Para quem empreende ou ocupa posições de liderança, isso fica ainda mais evidente. A imagem passa a fazer parte da construção de marca pessoal, mesmo quando não é pensada dessa forma.
“Quando existe coerência entre imagem, discurso e postura, a mulher não precisa forçar presença. Ela sustenta o espaço com mais naturalidade”, diz Juliane.
Não é sobre parecer, é sobre sustentar
Existe uma confusão comum entre imagem profissional e formalidade excessiva. Nem sempre o problema é estar informal demais. Muitas vezes, é estar desconectada de si mesma.
A construção de uma imagem profissional mais consistente passa menos por regras e mais por entendimento.
Entender o que você quer comunicar.
Entender onde você está inserida.
Entender se a sua imagem acompanha essa narrativa.
“Não se trata de parecer algo para ser levada a sério. Se trata de fazer com que a sua presença trabalhe a seu favor”, resume Juliane.
5 sinais de que sua imagem profissional pode estar desalinhada
● Você sente que sua aparência não representa sua fase profissional atual
● Sua imagem muda completamente dependendo do ambiente
● Você escolhe roupas pensando mais em “não errar” do que em se posicionar
● Existe desconforto ao participar de reuniões, eventos ou gravações
● Sua imagem não acompanha o nível de responsabilidade que você assumiu
O que pode ajudar nesse processo:
● Clareza sobre o que você quer comunicar
● Ajustes na forma de se vestir para diferentes contextos
● Coerência entre estilo pessoal e ambiente profissional
● Mais segurança nas escolhas do dia a dia