
A recente confirmação da gravidez da atriz Anne Hathaway, eternizada como protagonista de O Diabo Veste Prada, e a gestação da apresentadora Sabrina Sato, aos 45 anos, voltaram a colocar em evidência um tema cada vez mais presente na sociedade: a maternidade após os 40 anos.
Embora a gravidez em idade mais avançada seja uma realidade crescente, impulsionada por mudanças no estilo de vida, carreira profissional e avanços da medicina reprodutiva, especialistas alertam que essa fase exige um acompanhamento pré-natal ainda mais criterioso.
Segundo a ginecologista e obstetra Dra. Núbia Fontes, engravidar depois dos 40 é totalmente possível, mas requer planejamento e assistência médica especializada desde antes da concepção.
“Hoje observamos um número cada vez maior de mulheres adiando a maternidade por diferentes motivos. A medicina evoluiu muito e oferece recursos importantes para que essas gestações ocorram com segurança. No entanto, é fundamental compreender que, biologicamente, existem mudanças naturais relacionadas à fertilidade e ao risco de algumas complicações, tornando indispensável um acompanhamento individualizado”, explica.
A especialista destaca que, entre os principais desafios da gestação após os 40 anos, estão o aumento do risco de hipertensão gestacional, diabetes gestacional, alterações cromossômicas fetais, parto prematuro e perdas gestacionais. Apesar disso, com diagnóstico precoce, exames específicos e um pré-natal bem conduzido, é possível minimizar grande parte desses riscos.
Além dos cuidados durante a gravidez, a Dra. Núbia reforça a importância do planejamento reprodutivo.
“O ideal é que a mulher procure o ginecologista antes mesmo de engravidar. Avaliar a saúde geral, controlar doenças pré-existentes, revisar medicações e realizar exames pré-concepcionais faz toda a diferença para uma gestação mais tranquila”, afirma.
Casos de mulheres famosas ajudam a ampliar a discussão e mostram que a maternidade não possui uma idade única. Entretanto, a médica ressalta que cada organismo responde de forma diferente e que comparações devem ser evitadas.
“As celebridades ajudam a naturalizar o tema, mas cada mulher possui uma história clínica, uma reserva ovariana e condições de saúde próprias. Por isso, a decisão de engravidar deve sempre ser acompanhada por orientação médica”, conclui.
Sobre a especialista
A Dra. Núbia Fontes é médica ginecologista e obstetra, graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina Nova Esperança (João Pessoa – PB). Realizou Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (Recife – PE).
Atuou como médica assistente e preceptora no Ambulatório de Patologia do Trato Genital Inferior do Hospital Universitário Júlio Bandeira (Rede EBSERH), da Universidade Federal de Campina Grande (Campus Cajazeiras – PB), por meio de concurso público federal. Possui fellowship em Ultrassonografia Obstétrica Avançada.
Atualmente, atende em sua clínica, a Clínica Viva Luz, e é médica concursada pelo Estado do Rio Grande do Norte, realizando plantões em Obstetrícia no Serviço de Urgência e Emergências Obstétricas da Maternidade Santa Luísa de Marilac, em Pau dos Ferros (RN).
(Foto: Reprodução do Instagram)