
Evento também marca culminância de projeto de autonomia menstrual no Quilombo Mineiro Pau
No dia 26 de julho, domingo, das 9h às 19h, o Quilombo Mineiro Pau, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, realiza a 6ª Feijoada da Mulher Preta: Celebrando Tereza de Benguela. Com entrada franca, o encontro reunirá cultura, memória, ancestralidade, gastronomia e fortalecimento das mulheres negras, além de marcar a culminância do projeto “Empoderando o Ciclo: Autonomia Menstrual e Sustentabilidade no Mineiro-Pau”.
Realizada pela Obra Social Filhos da Razão e Justiça (OSFRJ), a Feijoada da Mulher Preta integra o calendário anual da instituição e homenageia Tereza de Benguela, liderança negra que governou o Quilombo do Quariterê, no século XVIII, tornando-se símbolo de resistência, organização comunitária, capacidade de liderança e autonomia das mulheres negras.
Mais do que uma celebração gastronômica, a feijoada é um espaço de valorização da história, da cultura e do protagonismo feminino negro. A proposta é lembrar que Tereza de Benguela não apenas resistiu ao sistema escravista: ela governou, organizou a produção, articulou a defesa do território e fortaleceu a vida coletiva de seu quilombo.

Nesta edição, o evento também apresentará os resultados do projeto Empoderando o Ciclo, desenvolvido pela Obra Social Filhos da Razão e Justiça em parceria com a CEDAE e o CAMPO. A iniciativa reuniu mulheres do território em um percurso de formação, troca de saberes, cuidado com o corpo, dignidade menstrual, sustentabilidade e fortalecimento da autonomia.
O grande coração do projeto foi a confecção de absorventes ecológicos reutilizáveis, produzidos pelas próprias participantes. A atividade permitiu abordar a pobreza menstrual de maneira ampla, relacionando saúde, acesso à informação, meio ambiente, autonomia financeira e valorização dos conhecimentos produzidos por mulheres negras.
Por serem reutilizáveis, os absorventes ecológicos contribuem para a redução do descarte de produtos menstruais de uso único e dos impactos ambientais associados a esse consumo. Ao mesmo tempo, ampliam o acesso a alternativas de cuidado menstrual e proporcionam às participantes conhecimentos que podem ser utilizados tanto no cotidiano quanto em futuras possibilidades de produção e geração de renda.

A culminância representa mais do que o encerramento de uma etapa. É a apresentação pública de um processo construído coletivamente, no qual as mulheres foram reconhecidas não como simples beneficiárias, mas como produtoras de conhecimento, cuidado, soluções e tecnologias sociais.
O projeto parte da compreensão de que a pobreza menstrual não pode ser reduzida apenas à falta de absorventes. Ela envolve desigualdade econômica, ausência de informação, constrangimento, riscos à saúde, falta de estruturas adequadas e limitações à participação de meninas e mulheres na escola, no trabalho e na vida comunitária.
Ao aproximar dignidade menstrual, sustentabilidade ambiental, costura, autonomia e ancestralidade, o Empoderando o Ciclo reafirma que cuidar do próprio corpo também é um ato político. Produzir um absorvente ecológico não significa apenas confeccionar um produto: significa construir conhecimento, reduzir dependências, cuidar do meio ambiente e ampliar as possibilidades de autonomia das mulheres.
Para a Obra Social Filhos da Razão e Justiça, celebrar Tereza de Benguela é reconhecer também as muitas “Terezas” que continuam organizando suas famílias, sustentando comunidades, transmitindo conhecimentos e construindo caminhos de liberdade nos territórios negros e periféricos.
A instituição está localizada em um Quilombo Urbano que também é um Terreiro de Macumba. Sua atuação nasce de uma tradição afro-brasileira que não separa alimento, espiritualidade, memória, cultura, educação, saúde e responsabilidade com a vida comunitária.
Ao longo do dia, a programação foi pensada como uma travessia entre memória, cuidado, cultura e celebração. As atividades começam às 9h, com o Café de Terreiro, ao som dos atabaques e com defumação. Às 10h, acontece a roda de conversa “O legado de Tereza e a nossa autonomia menstrual”, que aproxima a história de Tereza de Benguela das questões contemporâneas relacionadas à dignidade menstrual, à sustentabilidade e à autonomia das mulheres.
Ao meio-dia, serão realizadas as Saudações aos Ancestrais e, às 13h, será servida a tradicional Feijoada da Mulher Preta. A programação cultural continua às 15h, com a apresentação do Sementes de Girassóis, seguida, às 15h30, do espetáculo teatral “Recontando Minha História Preta”.
Às 16h30, o Quilombo recebe a roda de samba com as Pastoras do Aquilah. O encerramento acontece às 19h, com o Café e as Rosquinhas da Tia Genoveva, preservando a cozinha, a memória e o afeto como partes centrais da celebração.
A sexta edição será atravessada pela relação entre o legado de Tereza de Benguela e as experiências contemporâneas de autonomia construídas pelas mulheres do território. Se Tereza moldou o ferro, teceu o algodão e organizou a vida de seu quilombo, hoje outras mulheres retomam esse fio para costurar cuidado, sustentabilidade, independência e futuro.
Serviço
Evento: 6ª Feijoada da Mulher Preta: Celebrando Tereza de Benguela
Culminância: Empoderando o Ciclo: Autonomia Menstrual e Sustentabilidade no Mineiro-Pau
Data: 26 de julho de 2026
Horário: das 9h às 19h
Local: Quilombo Mineiro Pau
Endereço: Travessa Aurora, nº 157, Santa Cruz, Rio de Janeiro
Entrada: franca
Realização: Obra Social Filhos da Razão e Justiça
Parceria do projeto Empoderando o Ciclo: CEDAE e CAMPO
Assessoria de imprensa: Carlos Pinho (@dicasdopinhao)
Site: https://osfrj.org/
Rede social: https://www.instagram.com/osfrj/
(Fotos: OSFRJ)