VANDAL transforma fé, identidade baiana e linguagem sonora em VANGUARDAH, novo álbum de estúdio

Música4 hours ago

Pioneiro do grime e do drill no Brasil, artista baiano lança disco em celebração ao Dia de Santa Dulce, reunindo rap, samba-reggae e música afro-sinfônica em um manifesto sobre vida, urgência e pertencimento

[ouça aqui]

Ampliando a pesquisa musical que marca sua trajetória, o rapper VANDAL lança o álbum VANGUARDAH. Pioneiro do grime e do drill no Brasil, o artista de Salvador apresenta, ao longo de dez faixas, uma obra que atravessa rap, samba-reggae, pagodão baiano e música afro-sinfônica para construir um retrato da Bahia contemporânea a partir de suas próprias vivências. Ouça aqui!

O álbum também representa um novo momento na carreira do artista ao expandir sua linguagem sonora. A partir do encontro com o produtor Tiago Simões, as ideias que antes surgiam principalmente nos palcos passaram a ganhar uma elaboração mais aprofundada em estúdio. O projeto cresceu com a chegada de Russo Passapusso, que assumiu a direção musical do álbum, aproximando VANDAL do maestro Ubiratan Marques e da Orquestra Afrosinfônica. A direção artística do projeto é assinada por VANDAL e Phodismo, incorporando arranjos orquestrais, coros e uma instrumentação inédita em sua discografia.

A construção coletiva do álbum aconteceu de forma espontânea. Em vez de reunir previamente uma equipe, VANDAL viu os colaboradores surgirem naturalmente durante o processo de criação. Assim nasceram as participações de Russo Passapusso, Josyara, Giovanni Cidreira, Liz Reis, Lívia Nery, SUHHH, Hiran e DJ KL Jay, além de músicos como Paulo Pitta, Colibri e integrantes da Orquestra Afrosinfônica.

Conhecido nacionalmente desde TIPOLAZVEGAZH, lançado originalmente em 2015, VANDAL consolidou uma linguagem própria ao aproximar sonoridades globais da cultura das periferias soteropolitanas. Figura recorrente no Carnaval ao lado do BaianaSystem e referência quando o assunto é a expansão das fronteiras do rap, o artista agora entrega aquele que considera seu trabalho mais profundo até aqui.

Além da trajetória na música, VANDAL também atua como um dos curadores da Cidade da Música da Bahia, museu dedicado à preservação da memória musical do estado, onde possui uma sala dedicada ao hip hop. A atuação reforça seu envolvimento com a valorização da cultura baiana e amplia o diálogo entre VANGUARDAH e os espaços culturais que atravessam sua trajetória.

▸ SOBRE O DISCO:

Mais do que um álbum, o disco nasce como uma declaração artística sobre o que significa viver, criar e resistir. O próprio título faz referência ao conceito, reinterpretado a partir da perspectiva de um artista negro, baiano e nordestino.

VANGUARDAH foi a primeira faixa concebida para o projeto e acabou definindo toda a direção criativa do disco. A ideia da canção acompanhava VANDAL havia anos, inspirada pelo desejo de reinterpretá-lo a partir de sua própria realidade, enquanto artista nordestino. Ao longo do processo de criação, a música passou a sintetizar os temas centrais de VANGUARDAH – urgência, identidade, pertencimento e transformação – tornando-se o ponto de partida para o desenvolvimento das demais faixas.

Se a identidade visual nasce da religiosidade popular baiana, a sonoridade também parte desse território. Embora VANDAL dialogue com gêneros como grime, drill e rap, suas maiores referências surgem das ruas de Salvador – do samba-reggae, das festas populares, do pagodão baiano e das experiências vividas na cidade.

A mixagem e masterização ficaram por conta de Luciano Scalercio, engenheiro de áudio que acumula trabalhos com artistas como Anitta, Matuê, IZA, Mahmundi, Ludmilla, Pabllo Vittar, Veigh e Duquesa além de projetos indicados ao Grammy Latino, aproximando a densidade artística artística de VANGUARDAH de uma estética sonora contemporânea.

Ao longo das dez faixas, o álbum percorre temas como religiosidade, memória, afetos, perdas, pertencimento, ancestralidade e urgência. Para VANDAL, porém, existe um único conceito capaz de resumir toda a obra.

“O grande mote desse disco é a vida. Respirar, entender que estou vivo e transformar isso em música. Eu perdi muitas pessoas ao longo do caminho e isso me faz sentir que preciso colocar todas as minhas ideias no mundo enquanto tenho tempo”, completa VANDAL.

Embora represente uma obra completa por si só, VANGUARDAH é o primeiro capítulo de uma trilogia idealizada por VANDAL. Na sequência, o artista apresenta FEZTAH DEH LARGOH, segundo disco do projeto, que amplia o diálogo com os ritmos populares das festas de largo baianas e transita por diferentes sonoridades sem perder a cadência que marca sua origem musical. A trilogia se encerra com EAUH DEH PARFUMH, terceiro álbum, voltado para uma pesquisa sonora mais sofisticada, construída a partir de samples e novas experimentações de produção. Embora conectados por um mesmo processo criativo, os três discos possuem identidades próprias e não funcionam como uma continuação direta entre si.

▸ FÉ E IDENTIDADE VISUAL:

A religiosidade atravessa VANGUARDAH não apenas como tema, mas como fundamento conceitual e visual do projeto – a escolha do dia 13 de agosto para o lançamento também carrega significado. A data celebra Santa Dulce dos Pobres, figura que ocupa um lugar central na trajetória de VANDAL. A devoção do artista foi herdada de sua avó, Neuza, que, durante um período de internação nas Obras Sociais Irmã Dulce, encontrou acolhimento e fortaleceu sua fé ao vivenciar aquilo que passou a considerar um milagre concreto em sua vida. Essa experiência marcou a família e foi transmitida a VANDAL, inspirado não apenas parte da narrativa do álbum, mas também toda a sua identidade visual, fazendo do disco uma homenagem simultânea à Santa Dulce e à Bahia.

Mais do que uma escolha estética, VANGUARDAH nasce como uma celebração da manufatura e dos processos artesanais. Em um momento marcado pela aceleração tecnológica, o projeto valoriza o fazer manual em todas as suas dimensões – dos músicos que gravaram os instrumentos à construção orquestral do disco, passando pela fotografia, pela escultura e pela confecção artesanal das imagens sacras. Essa valorização do trabalho feito pelas mãos atravessa toda a obra e reforça a ideia de vanguarda proposta por VANDAL: uma inovação construída a partir da tradição, da presença humana e do tempo dedicado ao processo criativo.

Essa valorização da manufatura também orientou a construção do universo visual do álbum. O processo levou a equipe até a Cerâmica São Francisco, tradicional fábrica familiar de imagens sacras localizada em Valéria, em Salvador. Antes dessa etapa, o escultor e tatuador William desenvolveu a escultura original e o molde que deu origem às peças. A partir dele, o trabalho artesanal foi conduzido pela equipe da cerâmica, formada pelo artesão-chefe Francisco Castro, pela artesã-chefe Cristina Cerqueira, responsável também pela pintura dos detalhes, pelo pintor Manuel Castro e pela assistente de pintura Gabriela Castro. A família trabalhou durante anos em uma tradicional fábrica de imagens sacras localizada no bairro da Cidade Nova, que posteriormente encerrou suas atividades. A partir dessa experiência, fundou a própria Cerâmica São Francisco, hoje instalada em Valéria, reforçando os vínculos entre o projeto, a memória do território e um saber artesanal transmitido entre gerações da mesma família. Como parte do processo de apresentação de VANGUARDAH, o artista realizou uma audição do álbum no dia 11 de agosto, na Casa da Ponte Maestro Ubiratan Marques, no Largo do Pelourinho, em Salvador, reunindo convidados para escutar o projeto em primeira mão.

Esse percurso tornou-se parte da narrativa audiovisual de VANGUARDAH. Registrado em dois teasers dirigidos por Phodismo e Pedro Soares, o processo acompanha desde a confecção da escultura até a pintura artesanal das peças, evidenciando a transformação da matéria-prima em símbolo, estabelecendo um paralelo entre a construção da imagem e a própria formação artística de VANDAL. O próximo capítulo desse universo será o videoclipe de “PONTOH DE REVOLTAH”, dirigido por Thiago Cavalcanti, que amplia essa narrativa em uma produção audiovisual do projeto.

OUÇA “VANGUARDAH” AQUI!

TRACKLIST

1. SAVEIROZH
2. VANGUARDAH
3. PONTOH DEH REVOLTAH
4. AH VERDADEH DAH CIDADEH
5. AVEMARIAH
6. ANJOH BOMH DAH BAHIAH
7. SUPEREH
8. RÉQUIEMH PARAH UMH SONHOH
9. MULHEREZH DAH MINHAH VIDAH
10. SONÄBULOH

(Fotos: Divulgação)

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