“Caso Orelha” mobiliza mais de 2 milhões de menções nas redes e pressiona autoridades por justiça

(Crédito: Polícia Civil de Santa Catarina)

Levantamento do FGV/CEV mostra força da mobilização digital e crescimento do pedido por federalização do caso

A morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em Florianópolis (SC), provocou uma onda de comoção nacional e se transformou em um dos episódios de maior mobilização digital do início de 2026. Segundo relatos da população local, o animal foi encontrado gravemente ferido no dia 4 de janeiro, encaminhado a uma clínica veterinária e morreu no dia seguinte em decorrência dos ferimentos.

A repercussão do caso ganhou dimensão nacional graças à atuação das redes sociais, que funcionaram como catalisadoras da indignação pública e instrumento de pressão sobre as autoridades. Postagens, vídeos e campanhas digitais ampliaram o alcance do episódio e contribuíram para que o poder público fosse compelido a se manifestar e a agir diante da comoção popular.

Levantamento realizado pelo FGV/CEV (Centro de Estudos em Varejo e Consumo) aponta que, já em 6 de janeiro, dois dias após o animal ser encontrado, o caso acumulava mais de 6 mil menções nas redes sociais. Até o dia 3 de fevereiro, o volume ultrapassou 2 milhões de menções, consolidando o tema como um dos mais comentados do período.

“A velocidade e a escala da repercussão mostram como a internet deixou de ser apenas um espaço de opinião para se tornar um instrumento efetivo de cobrança social”, afirma Lilian Carvalho, PhD em Marketing e pesquisadora de Marketing Digital da FGV. “No caso do cão Orelha, a indignação coletiva rompeu barreiras geográficas e impediu que o episódio fosse tratado como algo menor ou invisível.”

A hashtag #JustiçaPorOrelha lidera as publicações, acompanhada pelo crescimento de pedidos de #FederalizaçãoDoCasoOrelha, movimento que reflete a percepção, por parte dos internautas, de lentidão e falta de resposta adequada das autoridades locais. O delegado Bruno Lima aparece em aproximadamente 15 mil menções, muitas delas com críticas à condução das investigações.

“Quando surgem pedidos de federalização em massa, isso revela uma quebra de confiança institucional”, explica Lilian. “As redes sociais passam a cumprir um papel de vigilância moral, pressionando por respostas quando a população percebe indiferença ou inércia do Estado”.

Para a pesquisadora, o episódio também ajuda a relativizar a visão exclusivamente negativa sobre as plataformas digitais. “É verdade que as redes sociais amplificam conflitos e podem gerar distorções, mas o caso Orelha mostra que elas também podem ser usadas como uma força coletiva em defesa da empatia, da vida e contra qualquer forma de maus-tratos.”

Mais do que um episódio isolado, o caso se tornou símbolo de um debate mais amplo sobre limites morais e responsabilidade social. “Falar de Orelha é falar do tipo de sociedade que queremos ser. Uma sociedade que reage à violência, inclusive quando ninguém está olhando e não há câmeras ligadas”, conclui.

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