Ki’MBANDA lança álbum “Ao Vivo no Showlivre”, registro potente de afro rock e resistência

Gravado ao vivo, sem filtros ou artifícios, o trabalho reafirma a identidade da banda como um movimento de resistência cultural, espiritual e estética dentro do rock nacional

Fundada em 2019, a Ki’MBANDA é formada exclusivamente por músicos pretos e utiliza o rock como ferramenta para resgatar histórias, espiritualidades e referências africanas, combatendo o apagamento da presença negra no gênero

Ouça o álbum

A banda Ki’MBANDA apresenta nesta sexta-feira (13 de março), em todos os aplicativos de música pela Marã Música, o álbum “Ao Vivo no Showlivre”, um registro cru, intenso e simbólico que captura a essência do grupo em sua forma mais autêntica. Gravado ao vivo, sem filtros ou artifícios, o trabalho reafirma a identidade da banda como um movimento de resistência cultural, espiritual e estética dentro do rock nacional.

O lançamento funciona como um manifesto sonoro. “Estamos mostrando nossa essência, ao vivo, crus, sem filtros, sem cortes. Quem quiser conhecer a Ki’MBANDA, esse será o melhor momento, estamos na nossa maturidade musical”, afirma a banda, que também demonstra grande expectativa pela recepção do público em todo o país.

Um dos destaques do repertório é a faixa inédita “Respeita os Nego… Véio!”, apresentada como um grito contra o racismo estrutural e o etarismo. “Mais do que uma música, ‘Respeita os Nego… Véio!’ é um manifesto de afro-preservação. Ela fala sobre o racismo estrutural e o preconceito de idade como duas faces da mesma moeda que tenta invisibilizar o trabalho e a sabedoria das pessoas pretas mais velhas”, explicam os integrantes. “Nós somos uma banda formada por músicos acima dos 40 anos, e essa canção também fala sobre o quanto lutamos e ainda somos inviabilizados por não sermos uma banda de novinhos.”

Musicalmente, a faixa sintetiza o conceito de afro rock defendido pelo grupo. “Com forte influência de João Bosco, os riffs iniciais têm um quê de ‘Tiro de Misericórdia’, com uma levada funkeada e uma disputa entre voz e guitarra que às vezes parecem duelar em tempos opostos, e no fim se encontram na exaltação. É o afro rock na pura essência”, definem.

A composição nasceu de uma urgência pessoal e coletiva. “Ela surgiu da necessidade de dar uma resposta a produtores e espaços que se guiam pelo etarismo e não abrem portas para bandas maduras. É um recado para quem valoriza apenas a imagem e não a experiência”, contam. A música foi construída a partir de um riff apresentado por Yves Remont e da letra escrita por KRISX em uma tarde chuvosa de São Paulo.

O vocalista também trouxe sua vivência direta para a letra. “A inspiração veio de situações reais, como quando tivemos a chance negada de tocar em um festival por sermos uma banda preta e com média de idade acima dos 40 anos. Mas somos nós que carregamos a sabedoria que todos copiam”, afirma, destacando o ativismo social presente na obra.

A gravação da session marcou momentos inéditos na trajetória da Ki’MBANDA, incluindo a participação de backing vocals, Nissa e Mayra Costa, que passaram a integrar a sonoridade da banda em ocasiões especiais. Além disso, o registro representa a realização de um desejo antigo do vocalista. “São mais de 15 anos tentando realizar esse evento com o Showlivre… enfim, cheguei como um nego véio, mas cheguei”, relembra KRISX.

Fundada em 2019, a Ki’MBANDA é formada exclusivamente por músicos pretos e utiliza o rock como ferramenta para resgatar histórias, espiritualidades e referências africanas, combatendo o apagamento da presença negra no gênero. O grupo nasceu da união entre KRISX, Rogério Luís (Menudo) e Yves Remont, com a proposta de unir a sofisticação do afro-samba ao peso do rock. Desde então, consolidou-se como uma voz ativa no debate racial e cultural, especialmente após lançamentos como “Afronte” (2024), “Ferro e Fogo” (2024) e “Sankofa”.

Com influências que vão de Living Colour a Gilberto Gil, a banda defende a ideia de que “o rock é preto”, ressaltando suas raízes no blues, gospel e R&B. Em palco, suas apresentações incorporam percussões de terreiro e elementos espirituais, transformando o show em uma experiência ritualística e política ao mesmo tempo.
Todos os integrantes acumulam mais de duas décadas de atuação na cena paulistana. “KRISX reuniu parceiros musicais de longa data para formar a Ki’MBANDA”, explicam, destacando a trajetória coletiva que sustenta o projeto.

Com “Ao Vivo no Showlivre”, a banda entrega um retrato fiel de sua potência artística e de sua mensagem, um trabalho que combina música, identidade, ancestralidade e enfrentamento. O álbum chega acompanhado dos vídeos da session já disponibilizados e de um show especial de lançamento previsto para março, em local a ser anunciado.

Ki’MBANDA – Formação atual:
Henrique Krispim (Krisx) – vocal
Yves Remont – guitarra
Rogério Luís (Menudo) – baixo
Marcos Guarujá & Anderson Kafé – percussão
Igor Mamuth – bateria
Nissa e Mayra Costa – backing vocals

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