Dodô Costa, diretor comercial da GR6, revela bastidores do Rock in Rio e fala sobre a evolução dos grandes shows de funk

Música17 hours ago

Com mais de 30 anos de trajetória na música, produtor já participou de projetos de MC Livinho, KayBlack, MC IG, MC PH, MC Dricka e DJ GBR no festival

Quando um artista sobe ao palco do Rock in Rio, o público vê poucos minutos de apresentação. Nos bastidores, porém, aquele momento pode representar meses de planejamento, decisões artísticas, ensaios, ajustes técnicos e integração entre dezenas de profissionais.

Dodô Costa conhece bem esse processo e acompanha de perto tudo o que acontece antes de uma grande apresentação chegar ao público. Ao longo de mais de três décadas no mercado musical, viu a produção de shows ganhar novas camadas de complexidade, tecnologia e planejamento, especialmente com a chegada do funk aos maiores palcos do país.

Atualmente diretor comercial da GR6, Dodô construiu uma trajetória que passa por produção, direção artística, planejamento técnico, desenvolvimento de projetos e coordenação de equipes. No Rock in Rio, já esteve envolvido em trabalhos ligados a nomes como MC Livinho, KayBlack, MC IG, MC PH, MC Dricka e DJ GBR.

(Da esquerda para a direita, Dodô Costa com MC PH, MC Dricka e MC IG no Rock in Rio. Crédito: Dodô Costa)
((Da esquerda para a direita, Dodô Costa com MC PH, MC Dricka e MC IG no Rock in Rio. Crédito: Dodô Costa))

Segundo Dodô, preparar um
artista para um festival dessa dimensão exige uma mudança de escala e também de
mentalidade.

“Não basta aumentar o
painel de LED ou colocar mais efeitos. O artista precisa entender a importância
daquele palco e preparar uma apresentação pensada para uma audiência muito
maior. O público vê o show, mas existe uma operação enorme acontecendo antes e
durante aquele momento”, afirma.

A construção começa muito
antes da abertura dos portões. Repertório, conceito visual, iluminação,
conteúdos de LED, figurino, logística, equipe técnica e ensaios precisam
funcionar como partes de um mesmo projeto.

Em grandes festivais,
explica Dodô, cada detalhe interfere na experiência final. Não se trata apenas
de levar para um palco maior o mesmo show apresentado em casas noturnas ou
eventos menores. A apresentação precisa ser redesenhada para conversar com a dimensão
do festival, com quem acompanha presencialmente e também com a audiência que vê
aquele momento pelas redes sociais, pela imprensa e por outros canais.

Do MC e DJ às grandes produções

Para Dodô, a presença
crescente do funk nos principais festivais brasileiros também mostra como o
gênero amadureceu artística e profissionalmente.

Durante muito tempo, a
estrutura tradicional de muitas apresentações era baseada principalmente em MC,
DJ e microfone. Hoje, grandes shows de funk podem reunir direção artística,
cenografia, bailarinos, iluminação programada, conteúdos audiovisuais e equipes
especializadas trabalhando de maneira integrada.

Essa evolução, segundo
ele, não significa abandonar as origens do movimento.

“O funk cresceu,
atravessou fronteiras e conquistou esses espaços. Não é abandonar a essência da
favela e da periferia, mas apresentar essa essência com organização, qualidade
técnica e respeito ao público. O funk não está recebendo um favor ao ocupar esses
palcos. Ele conquistou esse lugar”, destaca.

A fala traduz uma mudança
importante na indústria. Se antes a presença do funk em determinados espaços
era tratada como exceção, hoje artistas do gênero ocupam festivais, campanhas,
premiações e grandes eventos com projetos cada vez mais estruturados.

Para quem acompanha essa
transformação há décadas, a diferença está não apenas no tamanho dos palcos,
mas também na forma como artistas e equipes passaram a enxergar esses momentos.

Um festival pode mudar a percepção sobre um
artista

Além da repercussão
artística, Dodô chama atenção para outro fator: o impacto estratégico que uma
apresentação em um festival como o Rock in Rio pode ter na carreira.

A exposição vai além do
público presente. Um grande show gera imagens, vídeos, repercussão nas redes
sociais, cobertura de imprensa e novos pontos de contato com marcas,
contratantes e profissionais da indústria.

“O festival gera
visibilidade, imprensa, conteúdo e percepção de valor. Mas estar lá não basta.
É preciso transformar esse momento em posicionamento e novas oportunidades”,
explica.

Na prática, o palco pode
funcionar como uma vitrine para uma nova fase da carreira. Para isso, segundo
Dodô, é necessário existir planejamento antes, durante e depois da
apresentação.

O show termina, mas o
trabalho em torno daquele momento continua. A repercussão precisa ser
aproveitada, o conteúdo precisa circular e a exposição conquistada no festival
pode abrir portas para novas oportunidades, projetos e mercados.

“Um grande palco precisa representar o começo
de uma nova fase”

Depois de mais de três
décadas nos bastidores da música, Dodô acompanhou diferentes momentos da
indústria brasileira e também a transformação do funk, que saiu de circuitos
muitas vezes marginalizados para ocupar alguns dos maiores eventos do país.

Para ele, ver um projeto
chegar a um palco dessa dimensão mistura realização e responsabilidade.

“Quando as luzes acendem
e o público responde, existe uma sensação de missão cumprida. Mas um grande
palco não pode ser apenas uma chegada. Ele precisa representar o começo de uma
nova fase na carreira do artista.”

E talvez seja justamente
esse o maior bastidor de um grande festival. Para o público, o show dura alguns
minutos. Para quem constrói uma carreira, aquele momento pode reverberar por
anos.

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(Crédito: Divulgação)

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